Tuesday, October 20, 2009

M14

As pombas que se abrigam da chuva no parapeito do meu quarto são as minhas irmãs ocultas. Ambas fomos servidas no ravioli invejoso de las viejas do jardim. que nos torcem com as colheres de pau em artefactos de mofo, somos bastardas dos ramos mais térreos das arvores genealógicas de las viejas. Sabemos de cor o labiríntico desenrolar dos intervalos da calçada, apesar de não sermos oriundas de lá.

Tirita no meio dos ojos, sabão azul nas penas e um cobertor por cima da lepra ( e o coração a mil à hora)

Soy como una pássara gosto é de voar. Mas não sei onde fica a minha casa. Os técnicos de aeronáutica dizem que depois da igreja é um tirinho.e de facto é, o chão coberto de penas e patas retorcidas. Minhas irmãs não desistam! não temos curvas nem desvios agora que as duas torres caíram o céu pertence-nos! Victor não levo a mal que tenhas defecado fortemente (cagado fortemente!) no meu casaco. e Cornélia, não, não levo a mal que tenhas levado as tuas mais novas para o meu parapeito, eu sei o quão seguro é. O meu bairro é um bom bairro para educar as crianças, os velhos vagabundos são uma mala influência inofensiva e em breve serão cinza, bem antes de chegarem aos dezoito. ‘señor Manuel murió de câncer’ dirás,

O cheiro a endívia cozida deixa-me sempre com cara de Saramago incomodado mas mesmo assim guardar-vos-ei no meu regaço até deixarem de achar fofa a hello kitty, e até deixarem de achar system of a down um ganda som.

Portanto se mais tarde acharem o caminho, minhas caras, informem-me, e lembrem-se sempre: las viejas no quieren más que roubar tus niños para os porem em baús centenários no canto mais escuro do sótão.

Do vosso caríssimo

Avo Sivas

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