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A omnisciência das cigarras aprisionada ao rescaldo da noite é varrida lentamente pelo subtil amanhecer dos terraços de subúrbio. azul cinza dos rodapés dos prédios devolve a certeza opaca do coração que bate descompassadamente por todo o corpo: estão cada vez menos pessoas na rua e não é natal, é Outono. Cada vez mais vozes na rua e menos pessoas na rua, cada vez menos pessoas com demasiadas vozes na rua, demasiado cedo a esta hora. Não existem coisas para serem ditas no pré-amanhecer do cigarro. demasiadas vozes para tão pouca gente. E gente a mais.
Não obstante o silêncio; napalm aritmético dentro do peito oco, a pele rasgada onde os teus quatro vértices roçam inadvertidamente desde o nascimento . o som do romper da íris com a unha do dedo grande.o som do estropiar dos dedos no cinzeiro, apagar as impressões digitais na cinza. Se ficar a deitar fumo é porque não és bom na cama.
(lá fora os carros passam mas as vozes não)
Os sinos de uma igreja, sete horas e trinta e seis acidentes rodoviários. A morte começa cedo a esta hora, um pouco mais cedo que a vida. Apanhas o inicio desta linha, enrolas, lambes e pões o dedo na ferida.
Um hematoma são duas nódoas negras no mesmo sítio.
E o Holter é um exame que se faz ao coração.


1 Comments:
Quando for grande quero escrever como tu, ó poeta :-). Tens aqui mais umas quantas formulações para o catálogo (que já vai extenso).
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