Thursday, October 27, 2005

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É assim como a incoerência do que jamais fará sentido
Nos restos do velho que observo não encontro ninguém
Para partilhar que ontem ao abrir a janela
Duas corujas me amarrotaram a existência
Sob o olhar atento de uma lua oxidada.

É assim como se cortasse os pulsos
No meio de uma multidão carnavalesca
E chorasse todas as entranhas para cima das irrisórias criaturas
Se me sentasse no chão um dia e balançasse
Num circuito pendular que regurgitei de uma mente que já viu melhores noites
Se balançasse
Será que algum dia me afundava no chão?

O ardor que tenho na garganta
É tudo aquilo que poderia ter-te dito
Mas não disse…porque de tanto não falar
Colaram-se-me os lábios.

Quero injectar um tubo de vacuidade
Na mais saliente veia que tenho em mim
A veia do coração.

Tenho saudades da tua casca moribunda
Da maneira como se rasgava a pele quando te tocava
Há uma coisa que sempre te quis dizer
Mas sempre fui incapaz pois tu ingenuamente sorrias sempre…
Digo-te agora que já pouca relevância tem…
Vive uma estranha criatura escondida por detrás do teu ouvido
Pequena, frágil e sorridente.

2 Comments:

Blogger Papoila said...

que lindo!:)

10:40 PM  
Blogger Maria said...

"Quero injectar um tubo de vacuidade
Na mais saliente veia que tenho em mim
A veia do coração."


Não sentir.
Enquanto não se consegue isso perdemos o corpo e alma e o que mais que seja que há em vícios... contínuos e que nos apaguem os sentidos de vez. Ou por momentos.

10:12 PM  

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