Monday, July 25, 2005

No Title

De volta, de volta ao mundo que me quer mal, ao mundo em que ninguém presta. Após várias semanas de uma inconsciência a que insistem chamar de felicidade…de volta ao mergulho que conheço tão bem. Apanho com o sol na cara, talvez me faça bem, o sol é o símbolo de felicidade para tanta gente…Tenho uma fome que não sacia, um sono que nunca acaba, durmo acordado durante tanto tempo que chego a não conseguir diferenciar os momentos em que efectivamente durmo. Os momentos confundem-se, pois também eles não têm valor nenhum, não me lembro o que se passou ontem, não me lembro de mim há um ano, nem há um mês, nem há uns minutos…Construí um muro à volta de cada pedaço individualizando-o e tornando-o inútil. Não vou voltar a minha lista de exigências, aquela que costumo fazer cada vez que volto a este estado…passou disso, não voltou para trás, morreu, não quero saber, quero que vás mas nunca daqui, vai de onde não estás, fica comigo quando faço questão de estar, abraça-me porque estou aqui…estou aqui? Tenho de estar não existe nenhum outro sítio, onde possa estar, estás comigo? Duvido, nunca estás, mas também nunca vais. Tapo um olho e vejo tudo na mesma, tapo os dois e tenho sono. Quero dormir mas depois penso, penso em tudo e nada. Não tenho fome, só quero não estar sóbrio, não estar aqui. Toquei com os pés no chão desta vez, o chão que é a superfície onde se caminha e há pó, tanto pó… Há aves que levantam esse pó na tentativa de voar, mas ninguém voa, nada voa. Estamos aqui e é assim meu amigo…estamos aqui porque sim. Encontrei um muro feito de pequeninas pedras, pedras como tijolos, mas mais pequeninos e cinzentos, arranquei um e o muro não desabou. Arranquei outro e o muro continuou firme. Percebi, tinha de destruir a sua base, cortar pela raiz, mas não queria destruir nada tão belo como aquele muro, virei costas e vivi.
No outro dia vi uma menina que cortava os pulsos com uma lâmina de barbear, perguntei-lhe porque fazia ela isso, ela riu-se de mim, eu ri-me de alguma coisa. Ela cortou-se e agora sangrava, porquê? Perguntei-lhe porquê e ela respondeu que queria muito muito muito arrancar pedaços de coisas, eu não compreendi o que queria ela dizer e fui embora, tombou e riu-se de mim. Gosto de pessoas, gosto porque falam, às vezes dizem coisas boas, outras vezes dizem coisas más, mas costumam maioritariamente dizer coisas feias, palavras que fogem de uma boca podre e com cheiro a álcool, não contam mas talvez sejam as mais certas…ninguém quer saber ninguém quer saber. Cheguei ao meu porto e rezei enquanto esperava pelo barco, esperava pelo barco porque gosto de barcos, são harmoniosos e cheiram a infinito…parem de me pedir justificações! Continuei a rezar, um senhor chegou e perguntou-me o que estava a fazer, pareceu-me tão óbvio que não respondi.
-Sou Deus. – Disse ele
- Sim pois, estou à espera do meu barco. – Respondi
O Senhor foi embora. O Barco chegou. Abriram as portas do barco, lembrei-me que tinha deixado o forno ligado, virei costas e corri. Quando cheguei a minha casa estava a arder, não quero saber não quero saber.
Sentei-me no sofá emprestado pela senhora Segurança, e tivemos um quase dialogo.
- Então, tudo bem? – Perguntou a Segurança
- Preciso de um garfo, tenho comichão nas costas.
- Não mudes de conversa, perguntei-te se estavas bem.
- Sim, sim estou.
- Lamento muito mas aí dentro está um tumor quase do tamanho de uma criança.

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